ORTENSI.COM - Artigo: O futuro da fotografia (texto de Mauricio Luiz Ortensi).
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São Paulo, 9 de maro de 2010. Boa tarde !

O futuro da fotografia



 
Introdução
A Câmera escura
A lente
A fixação da imagem
A cor
A fotografia digital
O futuro da fotografia
 

A câmera escura, as lentes, os processos fotoquímicos, a eletrônica digital... -  A fotografia tem sido um campo vasto de pesquisa com um objetivo: Reproduzir imagens do mundo que nos cerca, através da fixação da luz que forma estas imagens em um meio físico. Nesta acepção a fotografia seria um campo da ciência e da técnica. Além disso, poderia substituir a pintura na tarefa transmitir informações e de preservar as memórias humanas, sobrepujando-a como meio de comunicação e de representação da realidade. Mas, na verdade, nem a alta fidelidade da moderna fotografia pode ser considerada uma representação perfeita da realidade, nem a própria ação de fotografar deve ser considerada meramente como técnica. Uma fotografia é uma fração do tempo retirada de seu contexto e congelada para sempre, podendo carregar um conteúdo que vai muito além das impressões da luz sobre um papel ou uma tela.

O olhar do fotógrafo pode isolar um fragmento da realidade e este fragmento pode se encaixar no olhar do observador de formas diversas. Neste sentido, a fotografia adentra o campo da arte, pois tem o poder de evocar sentimentos e emoções e de interagir com as noções de beleza, de estética e de harmonia das pessoas. Ao longo dos séculos a arte de registrar imagens evoluiu dos desenhos nas paredes das cavernas, passando pela pintura renascentista e chegando até a fotografia e o cinema. Como todos não passam de interpretações da realidade, o artista precisa ter o dom de lidar com esta interpretação, além da habilidade técnica para produzi-la. O artista-fotógrafo pinta quadros com a luz que habilmente controla através do seu equipamento. Porém, antes de registrar a imagem ele precisa antevê-la, planejar o que deseja que ela represente e estar ciente de que esta representação não será a mesma para todos os que a observarem. Pensando desta forma, a tecnologia assume um papel secundário. Assim, o artista precisa saber aceitar que o Daguerreótipo substituiu o pintor retratista, o colódio úmido substituiu o Daguerreótipo, as placas secas substituíram o colódio, a película de filme substituiu as placas e a fotografia digital já está substituindo os filmes. Mas, o que isto importa? O que vale é a sua sensibilidade.

O equipamento traz recursos que se bem utilizados facilitam e até podem melhorar o trabalho, mas não é o mais importante. Hoje nós temos à disposição ferramentas para capturar uma imagem de forma digital, ou digitalizar imagens já existentes e facilmente manipulá-las em nossas próprias casas, em praticamente todas as suas propriedades, desde saturação, brilho, contraste e nitidez até a própria forma dos elementos que compõem o assunto fotografado. Muitos têm criticado esta manipulação digital como uma corrupção da fotografia "pura". Mas, na verdade, o que ocorre é que apenas foram sofisticados os recursos de edição e montagem sempre utilizados por fotógrafos. Antes, utilizavam-se tintas, tesoura, cola e outros materiais; hoje, utilizamos o computador. E já está sendo criada e aceita a própria arte digital, totalmente produzida no computador ou elaborada a partir de imagens fotográficas.

Sempre haverá os nostálgicos, com suas Leicas manuais e filmes em P&B e isto não é ser desatualizado. É apenas uma maneira - ou um gosto - de expressar-se. E também cada vez mais surgirão os aficionadas pela tecnologia. Tanto uma bucólica imagem sépia de um campo florido quanto uma fidelíssima imagem digital de alta definição cumprem o seu papel. Por isso, fotografia é arte; e deverá continuar sendo arte no futuro, independentemente das técnicas e tecnologias que venham a ser desenvolvidas.

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