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A câmera escura, as lentes, os processos
fotoquímicos, a eletrônica digital... -
A fotografia tem sido um campo vasto de pesquisa com um objetivo:
Reproduzir imagens do mundo que nos cerca, através da
fixação da luz que forma estas imagens em um meio
físico. Nesta acepção a fotografia
seria um campo da ciência e da técnica.
Além disso, poderia substituir a pintura na tarefa
transmitir informações e de preservar as
memórias humanas, sobrepujando-a como meio de
comunicação e de
representação da realidade. Mas, na verdade, nem
a alta fidelidade da moderna fotografia pode ser
considerada uma representação perfeita da
realidade, nem a própria ação de
fotografar deve ser considerada meramente como técnica. Uma
fotografia é uma fração do tempo
retirada de seu contexto e congelada para sempre, podendo carregar um
conteúdo que vai muito além das
impressões da luz sobre um papel ou uma tela.
O olhar do
fotógrafo pode isolar um fragmento da realidade e este
fragmento pode se encaixar no olhar do observador de formas diversas.
Neste sentido, a fotografia adentra o campo da arte, pois tem o poder
de evocar sentimentos e emoções e de interagir
com as noções de beleza, de estética e
de harmonia das pessoas. Ao longo dos séculos a arte de
registrar imagens evoluiu dos desenhos nas paredes das cavernas,
passando pela pintura renascentista e chegando até a
fotografia e o cinema. Como todos não passam de
interpretações da realidade, o artista
precisa ter o dom de lidar com esta
interpretação, além da habilidade
técnica para produzi-la. O artista-fotógrafo
pinta quadros com a luz que habilmente controla através do
seu equipamento. Porém, antes de registrar a imagem ele
precisa antevê-la, planejar o que deseja que ela represente e
estar ciente de que esta representação
não será a mesma para todos os que a observarem.
Pensando desta forma, a tecnologia assume um papel
secundário.
Assim, o artista precisa saber aceitar que o Daguerreótipo
substituiu o pintor retratista, o colódio úmido
substituiu o Daguerreótipo, as placas secas
substituíram
o colódio, a película de filme substituiu as
placas e a fotografia digital já está
substituindo os filmes. Mas, o que isto importa? O que vale
é a sua sensibilidade.
O equipamento traz recursos que se
bem utilizados facilitam e até podem melhorar o trabalho,
mas não é o mais importante.
Hoje nós temos à disposição
ferramentas para capturar uma imagem de forma digital, ou digitalizar
imagens já existentes e facilmente manipulá-las
em nossas próprias casas, em praticamente todas as suas
propriedades, desde saturação, brilho, contraste
e nitidez até a própria forma dos elementos que
compõem o assunto fotografado. Muitos têm
criticado esta manipulação digital como uma
corrupção da fotografia "pura". Mas, na verdade,
o que ocorre é que apenas foram sofisticados os recursos de
edição e montagem sempre utilizados por
fotógrafos. Antes, utilizavam-se tintas, tesoura, cola e
outros materiais; hoje, utilizamos o computador. E já
está sendo criada e aceita a própria arte
digital, totalmente produzida no computador ou elaborada a partir de
imagens fotográficas.
Sempre haverá os nostálgicos, com suas Leicas
manuais e filmes em P&B e isto não é ser
desatualizado. É apenas uma maneira - ou um gosto - de
expressar-se. E também cada vez mais surgirão os
aficionadas pela tecnologia. Tanto uma bucólica imagem
sépia de um campo florido quanto uma fidelíssima
imagem digital de alta definição cumprem o seu
papel. Por isso, fotografia é arte; e deverá
continuar sendo arte no futuro, independentemente das
técnicas e tecnologias que venham a ser desenvolvidas.
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