A câmera escura consiste em um compartimento fechado (como uma caixa
ou mesmo uma quarto) com apenas um pequeno orifício
em um de seus lados; quando os raios de luz entram por este pequeno
orifício eles são ordenados, gerando no lado oposto ao furo uma
projeção invertida da imagem exterior (figura acima). Durante a
idade média a câmera escura descoberta por Aristóteles foi
utilizada por sábios tanto no oriente como no ocidente. Há
registros de seu uso pelo erudito árabe Alhazem (Ibn al Haitam
- 965-1038 EC), na corte de Constantinopla, pelo cientista e
filósofo ingl�s Roger Bacon (1214-1294 EC) e pelo erudito
hebreu Levi ben Gerson (1288-1344 EC), para a observação de
eclipses solares, uma vez que a imagem projetada não causa os danos �
vista provocados pelo olhar direto ao sol.
A técnica de utilização da câmera escura nas artes, chamada
de perspectiva linear, foi introduzida pelo arquiteto
italiano Filippo Brunelleschi (1377-1446), que codificou as leis da perspectiva
em uma série de experi�ncias envolvendo câmeras escuras, entre
1417 e 1420, na cidade italiana de Florença (Firenze). Os pintores
italianos Masaccio (1401-1428?) e Paolo Uccello (1397?-1475)
estiveram entre os primeiros a utilizar a técnica de Brunelleschi. Leonardo da Vinci
descreveu a técnica em seu tratado
sobre espelhos; como em
sua época não existia nenhum método para fixar a
imagem projetada, o pintor tinha que esboçar o traço sobre a imagem
projetada para pintá-la depois. Outros
grandes nomes da Renascença na Itália, tais como Michelangelo
(1475-1564), também utilizaram a técnica para a produção de suas
obras.
Ao longo da história, a câmara escura foi utilizada de várias
formas e de vários modos, pois a projeção de imagens permitia uma grande exatidão de proporções e de perspectiva nos
desenhos. Mas, até a invenção de um meio para a fixação
da imagem projetada, o resultado final continuava dependendo da
habilidade do artista. Além disso, a qualidade da imagem projetada
era demasiado fraca ou desfocada, antes que fosse introduzida a
lente no processo. Nos dias de hoje alguns fotógrafos gostam de
construir câmeras escuras simples, com latas ou caixas de sapatos
(chamadas pin hole), colocando filme ou papel fotográfico em
seu interior de modo a produzir imagens sem a ajuda de lentes,
obtendo ângulos e perspectivas muito diferentes esteticamente da
fotografia convencional. E, de fato, desde as pequenas máquinas amadoras
ou fabricadas artesanalmente até os mais modernos e sofisticados equipamentos
digitais da atualidade, todos são formados por câmeras escuras,
com os mesmos princípios básicos descobertos por Aristóteles há
mais de 32 séculos.
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