ORTENSI.COM - Artigo: História da Fotografia - A Lente (texto de Mauricio Luiz Ortensi).
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São Paulo, 9 de maro de 2010. Boa tarde !

A história da fotografia


A lente


 
Introdução
A Câmera escura
A lente
A fixação da imagem
A cor
A fotografia digital
O futuro da fotografia
 

Nitidez versus brilho

A câmera escura representou um grande avanço no sentido de capturar imagens, mas apresenta um problema: para que a imagem projetada seja nítida, o orifício da câmera precisa ser bem pequeno, para poder orientar os raios de luz que passam por ele - quanto menor o orifício, maior a nitidez. Mas, um orifício pequeno deixa passar pouca luz, tornando a imagem fraca - quanto menor o orifício, menor o brilho (figura 1). Se aumentarmos orifício, mais raios de luz passarão e deixarão a imagem mais forte, porém, estes raios não estarão tão ordenados, formando uma imagem desfocada (figura 2).
 

A introdução da lente

Em 1550 o matemático italiano Girolano Cardano (1501-1576) experimentou usar uma lente biconvexa de vidro no orifício de uma câmera escura. A lente tem a propriedade de convergir os raios de luz que passam por ela, de modo que era possível aumentar o diâmetro do orifício - para que deixe passar mais luz - e utilizar a lente para convergir os raios de luz e focar a imagem (figura 3). A descoberta de Cardano deu um grande impulso na utilização da câmera escura, nas artes e na ci�ncia. Em 1558 outro italiano, o cientista napolitano Giovanni Baptista Della Porta (1541-1615) publicou um amplo estudo sobre as aplicações da câmera escura na produção de desenhos.

O foco

A lente resolveu o problema do brilho e da nitidez da imagem, mas logo verificou-se que o foco obtido era limitado a um plano estreito, ou seja, apenas os objetos localizados a uma certa distância da lente ficavam nítidos; os que ficavam mais distantes ou mais próximos permaneciam desfocados. 

Outra vez um italiano, o veneziano Danielo Barbaro, descobriu  que  aumentando  ou  diminuindo  o orifício da câmera escura obtinha-se, respectivamente, a diminuição e o aumento da faixa onde os objetos ficavam em foco (veja mais detalhes sobre este fen�meno no artigo Profundidade de Campo); com suas experi�ncias, Barbaro desenvolveu um mecanismo para aumentar e diminuir o diâmetro do orifício, ao qual chamou de diaphragma

Mais avanços

Em 1573, o astr�nomo e matemático italiano Egnatio Danti, em sua obra La perspecttiva di Euclide, sugere outro aperfeiçoamento: a utilização de um espelho c�ncavo para reinverter a imagem. Em 1580, o alemão Friedrich Risner descreveu uma câmara escura portátil cuja publicação foi feita após a sua morte, na obra Optics de 1606. Em 1620 o astr�nomo alemão Johannes Kepler (1571-1630) utilizou uma lente biconvexa e um espelho, para obter uma imagem sobre um tabuleiro de desenho no interior de uma tenda transformada em câmera escura para seus desenhos topográficos em uma viagem de inspeção pela Alta Áustria (figura 4). Em 1636, o professor de matemática Daniel Schwenter da Universidade de Altdorf, na Suíça, em sua obra Deliciae physico-mathematicae, descreve um elaborado sistema de lentes que combinavam tr�s distancias focais diferentes (saiba mais sobre distância focal no artigo Objetivas). que foi usado pelo alemão Hans Hauer em sua panorâmica de Nuremberg. 

 

figura 4: câmera escura
em forma de tenda,
de Johannes Kepler


Em 1646 o professor Athanasius Kircher constrói em Roma uma câmara escura dotada de uma tela interna onde a imagem projetada pelo orifício aparecia do lado oposto da tela fina, facilitando o desenho (figura 5). Em 1665, o italiano Antonio Canaletto (1697 - 1768) utiliza uma câmara escura dotada de um sistema de lentes intercambiáveis como meio auxiliar de desenhos de vistas panorâmicas. 

figura 5: câmera escura para desenho,
de Athanasius


Em 1676, Johann Christoph Sturm, professor de matemática em Altdorf, na Suíça, em sua obra Collegium Experimentale sive curiosum, ilustra uma câmara escura que utilizava um espelho interno inclinado a 45 graus para refletir a luz vinda da lente para um pergaminho colocado horizontalmente e uma carapuça de pano preto exterior funcionando como um párasol para melhorar a qualidade da visualização da imagem.

 


O alemão Johann Zhan (1685-1686), monge de Wüzburgo, ilustrou em sua obra Oculos Artificialis teledioptricus, vários tipos de câmaras portáteis, como o tipo reflex que possuia 23 cm de altura e 60 cm de largura (figura 6). Com a invenção de meios químicos para a fixação de imagens, a partir do século XIX, aumentou muito a procura por lentes específicas para câmeras fotográficas o que impulsionou grandes avanços na indústria ótica. 

figura 6: câmera escura
compacta do tipo "reflex"


Alta tecnologia

Destes avanços, dois foram de grande importância: primeiro, o desenvolvimento de novos tipos de vidros e cristais, de grande transpar�ncia e alto poder de refração; segundo, a combinação de vários tipos de lentes em um único conjunto para controlar distorções óticas, melhorando a definição da imagem. Estas peças complexas de lentes, chamadas objetivas, são construídas com características específicas para diversas aplicações de fotografia, cobrindo ampla gama de distâncias focais, aberturas de diafragma e outros recursos (saiba mais no artigo Objetivas). Atualmente a alta tecnologia tem possibilitado a construção de objetivas que são verdadeiras obras-primas da engenharia, combinando novos materiais, leves e resistentes, com microeletr�nica avançada.
 

As modernas objetivas são construídas com elementos óticos móveis que permitem a regulagem do foco e as objetivas autofocus possuem micromotores internos controlados por sensores e microcomputadores das câmeras eletr�nicas, fazendo o foco automaticamente sobre o assunto posicionado nos pontos focais do visor. Também foram desenvolvidas as lentes zoom, onde a movimentação dos conjuntos óticos proporciona várias distâncias focais, sem perder o foco. 


Canon EF Technology. Copyright Canon Inc.

Moderna objetiva autofocus

 

Alguns avanços mais recentes e impressionantes são: - o controle do foco pelo olho, onde um sensor "l�" a pupila do fotógrafo e faz o foco exatamente sobre o que ele está olhando; - o mecanismo inteligente de estabilização de imagem, que evita fotos "tremidas"; - e o foco automático contínuo sobre assuntos em movimento. 

Novos compostos, como o cristal de fluorita, t�m possibilitado a construção de objetivas cada vez mais nítidas e leves que, em conjunto com a alta tecnologia de automação, reduzem as limitações de luz e possibilitam ao fotógrafo livrar-se das complicadas regulagens e concentrar-se apenas na composição das imagens que deseja registrar.

Finalmente, no século XX foram construídos telescópios com lentes gigantes, que proporcionaram ao homem observar e fotografar outros mundos em distâncias longínquas no Universo.

 

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