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Em 1827, Niépce foi � Inglaterra, levando consigo várias
heliografias. Lá conheceu Francis Bauer, pintor botânico que de
pronto reconheceu a importância do invento. Aconselhado a informar
ao Rei Jorge IV e � Royal Society sobre o trabalho, Niépce,
cauteloso, não descreve o processo completo, levando a Royal
Society a não reconhecer o invento. De volta para a França, deixa
com Bauer suas heliografias, incluindo a primeira, que hoje se
encontra nos Estados Unidos.
Naquele mesmo ano Niépce foi apresentado pelos irmãos
Chevalier, ao pintor franc�s Louis Jacques Mandé Daguerre (1789-1851), que
fazia shows de imagens com câmeras escuras em Paris, chamados
"diodramas". Após se corresponderem por meses, firmam uma
sociedade em 1829 com o propósito de aperfeiçoar a Heliografia,
compartilhando seus conhecimentos secretos. Daguerre, verificando as
limitações do betume da Judéia, decidiu prosseguir sozinho nas
pesquisas com a prata halógena. Suas experi�ncias consistiam em
expor, na câmara escura, placas de cobre recobertas com prata
polida e sensibilizadas sobre o vapor de iodo, formando uma capa de
iodeto de prata sensível � luz.
Certa noite, em
1838, Daguerre guardou uma placa já exposta de cobre coberta
com uma emulsão de halogenetos de prata dentro de um
armário onde havia um term�metro de mercúrio que se quebrara. Ao
amanhecer, abrindo o armário, Daguerre constatou que a imagem da
placa tornara-se visível. Em todas as áreas atingidas pela luz o
mercúrio estava mais claro. Daguerre
banhou a placa revelada pelo mercúrio em uma
solução de água e sal comum (cloreto de sódio) para dissolver os
halogenetos de prata não revelados, formando as áreas escuras da
imagem. Posteriormente substituiu o cloreto de sódio por Tiosulfato
de sódio, que garantia maior durabilidade � imagem. Este processo
foi batizado com o nome de Daguerreotipia e as câmeras escuras
construídas segundo os seus princípios foram chamadas de
Daguerreótipos.
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figura
2: Daguérre e modelo de
seu daguerreótipo. Foto feita
por ele mesmo em 1839.
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Em 7 de janeiro de 1839 a invenção de Daguerre foi anunciada �
Academia Francesa de Ci�ncias pelo seu amigo François Arago, um
respeitado cientista, e provocou sensação. Jornais de vários
países noticiavam o fato. O governo franc�s concedeu a Daguerre a
ao filho de Niépce, Isidore, pensões vitalícias e reconhecimento
nacional aos seus direitos sobre a divulgação pública de suas
descobertas. Além disso, a patente do daguerreótipo também foi
obtida na Inglaterra.
Inicialmente, o processo de Daguerre não era muito sensível �
luz e requeria tempos de exposição que chegavam a 30 minutos,
dificultando a obtenção de retratos de pessoas. Mas os tempos de
exposição foram rapidamente reduzidos graças � novos
aperfeiçoamentos feitos por pesquisadores na Áustria, Inglaterra e
nos Estados Unidos. Em pouco tempo, os grandes centros urbanos ficaram repletos de
daguerreótipos, fazendo até mesmo com que vários
pintores retratistas da época temessem que a nova técnica
provocasse o fim de sua profissão.
Por volta de 1840 muitas grandes cidades no mundo já contavam
com estúdios fotográficos para produção de retratos; fotógrafos ambulantes, com
daguerreótipos portáteis, visitavam cidades
menores fazendo retratos a preços acessíveis, tornando a
invenção popular entre todas as classes sociais.
O negativo
Voltando um pouco a história, apenas 3 semanas após o anúncio pela Academia Francesa,
um cientista amador ingl�s, William
Henry Fox Talbot (1800-1877) soube dos fatos e ficou extremamente
contrariado, pois a invenção francesa era muito semelhante a uma
invenção sua, chamada "desenho fotog�nico", que
desenvolvera durante anos mas não a havia divulgado por julgá-la
ainda imperfeita. Em uma câmera escura, Talbot carregava papel
sensibilizado por uma emulsão de cloreto de prata, que após
uma exposição que variava entre meia e uma hora formava uma imagem
com tons invertidos (imagem negativa). A imagem era fixada em sal de
cozinha e submetida a um contato com outro papel sensível, onde
obtinha-se uma cópia não invertida. Talbot apresentou o processo �
Royal Society em Londres, onde o cientista Sir John Herschel sugeriu
o uso de Tiossulfito de sódio como fixador em lugar do sal e, pela
primeira vez, sugeriu os termos fotografia, negativo e
positivo. Após substituir o material sensível por iodeto de
prata e utilizar ácido gálico como revelador, Talbot chamou o
processo de "calotipia" e, por ser considerado
diferente da daguerreotipia, obteve a sua patente em 1841.
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Embora
a calotipia, ou "talbotipia" tivesse qualidade
inferior e fosse mais cara que a daguerreotipia, ela foi a
base para as modernas tecnologias de filmes negativos. Talbot
aprimorou suas técnicas e em 1844 publicou o primeiro livro
ilustrado com fotografias do mundo, chamado "The Pencil
of Nature", onde havia 24 "talbotipos", além
de explicações detalhadas sobre o seu processo e padrões de
qualidade para as imagens. |
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Estúdio
de Talbot em Reading, 1844
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Até então, as imagens obtidas pelos métodos de Daguerre e
Talbot possuíam grande contraste e pouca variação de tons. Em
1847 Abel Niépce de Saint-Victor, primo de Nicéphore Niépce,
descobriu que a utilização de uma placa de vidro coberta com a
albumina da clara do ovo sensibilizada com iodeto de potássio,
submetida a uma solução ácida de nitrato de prata, revelada com
ácido gálico e finalmente fixada no tiossulfato de sódio,
proporcionava imagens muito mais nítidas, embora requeresse tempos
de exposição de 15 minutos aproximadamente, além de sua
preparação ser bastante complexa e as placas poderem ser guardadas
apenas durante 15 dias.
Pouco depois, em 1851, um escultor londrino, Frederick Scott
Archer, sugeriu uma mistura de algodão de pólvora e éter, chamado
de colódio, como um meio de unir os sais de prata nas placas
de vidro. Além de muito transparente, o colódio permitia uma
concentração dos sais, aumentando em 10 vezes a sensibilidade das
placas em comparação �s de albumina, reduzindo assim o tempo de
exposição. Seus maiores inconvenientes eram a necessidade de
sensibilizar, expor e revelar a chapa num curto espaço de tempo,
devido � instabilidade dos reagentes, e o seu alto custo.
Archer não teve interesse em patentear seu processo, morrendo na
miséria e quase desconhecido. Porém, graças a ele, os fotógrafos
podiam pela primeira vez explorar a fotografia sem esbarrar no
problema das patentes. Talbot, acreditando que sua patente cobria o
processo colódio, chegou a levar o caso aos tribunais, mas não
obteve ganho de causa. Além disso, em 1853 expirara a patente de
Daguerre. O caminho para a exploração da fotografia agora estava
livre e a criação de uma variação de menor custo do colódio,
desenvolvida pelo próprio Archer, aumentou grandemente a
popularidade da fotografia.
| Para
reduzir os custos do processo com colódio, Archer, com a colaboração de Peter Wickens
Fry, branqueava um
negativo de colódio sub-exposto e o colocava sobre um fundo escuro
de verniz ou tecido, dando assim a impressão de um positivo.
Quando um negativo é colocado sobre um fundo escuro com o lado da
emulsão para cima, surge uma imagem positiva graças � grande
reflexão de luz da prata metálica. Dessa maneira o negativo não
podia mais ser copiado, mas representava uma economia de tempo e
dinheiro, pois se eliminava as etapas de obtenção da cópia em
papel. O
nome Ambrótipo foi sugerido por Marcos A. Root, um daguerrotipista
da Filadélfia, sendo também usado este nome na Inglaterra. Na
Europa, o processo era geralmente chamado Melainotipo. |

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No
Ambrótipo o fundo escuro
forma uma imagem positiva
sobre um negativo (na figura
acima, na parte esquerda o
fundo escuro foi removido)
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Outra variação do processo colódio, foi o Ferrótipo, ou
Tintipo, desenvolvido por Hanníbal L.
Smith, um professor de química da universidade de Kenyon, Estado
Unidos, que também consistia em um
negativo de chapa úmida de colódio com um fundo escuro para a
formação do positivo. Mas, ao invés de usar verniz ou tecido,
utilizava-se uma folha de metal esmaltada de preto ou
marrom escuro, como suporte do colódio. O processo tinha materiais
de baixo custo e as novas soluções
de processamento químico proporcionavam maior rapidez, o que fez
com que obtivesse grande popularidade entre os
fotógrafos nos Estados Unidos a partir de 1860, quando começaram a
aparecer fotógrafos profissionais fazendo fotos de crianças em praças
públicas, famílias em piqueniques e recém casados em porta de
igrejas.
Embora os processos baseados no colódio proporcionassem enormes
melhorias na qualidade da imagem, as placas com a emulsão
precisavam ser conservadas úmidas, o que era um grande
inconveniente. Várias maneiras de conservar o colódio durante
períodos mais prolongados foram desenvolvidas, de forma que toda manipulação
química pudesse ser realizada posteriormente em laboratórios. Mas,
em setembro de 1871, o médico e microscopista Ingl�s, Richard
Lear Maddox, publicou no British Journal of Photography suas
experi�ncias com uma emulsão "seca" de gelatina e brometo de prata como
substituto para o colódio. A chapa com emulsão de gelatina era
cerca de 180 vezes mais
lenta que o processo úmido, mas logo o novo processo foi aperfeiçoado.
John Burgess criou e comercializou uma emulsão de brometo de prata e gelatina
engarrafada, mas os resultados não foram satisfatórios devido �
presença de sub-produtos tais como nitrato de potássio. Em 1873,
Richard Kennett produzia emulsões secas e placas preparadas com bastante
sensibilidade � luz e em 1878, Charles Bennett publicou que conservando a
emulsão a 32�C de quatro a sete dias, se produzia uma
"maturação" que aumentava a sensibilidade. A partir de em
1880 várias firmas
passaram a fabricar placas de gelatina seca em quantidades
industriais. Fabricantes britânicos como a Wratten & Wainwrigth e The
Liverpool Dry Plate Co. monopolizaram a fabricação de
placas secas e logo fábricas em todos os países passaram a
imitá-los, até que em 1883 o colódio estava praticamente
abandonado.
o filme
FInalmente, na década de 1880, foi fundada pelo bancário
norte-americano George Eastman (1854-1932) a Kodak, que
produzia placas secas de gelatina para fotografia. Em 1885 a
Kodak revolucionou a fotografia com a substituição das
placas por uma película coberta de emulsão sensível,
embalada em rolos. Estas películas, chamadas filmes,
permitiram a fabricação de câmeras fotográficas de tamanho
extremamente reduzido e de baixo custo. Em 1891, o
aperfeiçoamento do sistema de rolos de filme permitia que se
carregasse a película na máquina em plena luz do dia,
tornando o manuseio das máquinas fotográficas tão fácil
que agora qualquer pessoa poderia tirar fotografias e mandar
revelar os filmes em laboratório. A película em forma de
filme também permitiu o desenvolvimento do cinema, que nada
mais é do que a produção e posterior projeção em
seqü�ncia de uma série de fotografias, sincronizadas com o
som gravado.
Todos estes avanços tornaram a fotografia parte da vida das
pessoas já no final do século dezenove. Mas, independentemente do
processo, a fotografia registrava apenas as variações de luminosidade dos objetos fotografados, ou seja, não havia cor. Isto
não incomodava a maioria dos fotógrafos, e não incomoda a muitos até hoje, mas
obter uma imagem colorida passou a ser o objetivo de muitos
pesquisadores.
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