História

Oriunda das províncias italianas de Rovigo e Padova, na região do Vêneto, a família Ortensi aqui retratada tem origem recente. Em meio às agruras da longa guerra pela reunificação da Itália um recém nascido foi deixado em uma Congregação de Caridade. Ali recebeu o seu nome — Ortensi Giovanni —, foi educado, cresceu e aprendeu sua profissão. Casou-se e com seu trabalho construiu uma família com amor, dedicação e coragem. Lutou na mesma guerra que o privou de conhecer seus pais. Sobreviveu às batalhas, mas estava em um país por elas devastado. Foi assim que, nas últimas luzes do século dezenove, partiu para um lugar distante, um lugar chamado Brasil.

As informações aqui contidas foram obtidas do testemunho de quem conheceu e viveu ao lado do nonno Giovanni, o primeiro dos Ortensi desta família. Digo desta, porque pesquisas revelaram que na Itália e mesmo no Brasil existem mais famílias com o mesmo sobrenome. Porém, em virtude de não se conhecerem os pais do órfão Giovanni, não é possível estabelecer uma relação com essas outras famílias.

O nome Ortensi, em italiano, é uma variação do plural de Ortensia, planta da família Hydrangeaceae (Hydrangea macrophylla), conhecida em português como Hortênsia. As hortênsias são originárias da China e muito comuns em todo o extremo oriente. Provavelmente foram trazidas para a Europa pelos mercadores que saíam de Veneza para as rotas de comércio com oriente, dos quais o pioneiro foi Marco Polo. As primeiras hortênsias da Europa foram plantadas na região de Veneza — o Vêneto, onde nasceu Giovanni — e daí se espalharam por toda o continente, onde hoje são muito comuns. E, talvez, por ser um planta frágil e de aspecto delicado, cujas flores variam do azul ao rosa claro, tenha inspirado as freiras da Congregação de Caridade que acolheram o pequeno órfão de pele rosada e olhos azuis a lhe darem o seu nome. Esta é uma mera suposição, mas sinto-me confortável em nela acreditar, pois além dos olhos azuis esverdeados herdados por toda a família, um documento militar de Giovanni diz que a cor da sua pele era “rosea” !

Este trabalho foi possível graças à recuperação, na Itália, de documentos originais do nono, de seus pais, sua esposa e sua primeira filha, obtidos por Odair Leonel, seu neto. A recuperação destes documentos permitiu o resgate do correto nome da família, que fora erroneamente aportuguesado para “Hortencio” por cartórios brasileiros. Foram realizadas pesquisas em obras de referência sobre o contexto histórico dos eventos narrados, o que permitiu a consistência do cenário e a explicação para vários dos acontecimentos relatados. Buscou-se a informação mais precisa e confiável possível e serão bem vindas todas as informações adicionais, correções e críticas recebidas dos que se dedicarem à leitura destas páginas.