Contexto histórico

A Itália, nos tempos do dos Casares, foi sede do maior Império de toda a história humana e Roma era chamada de Capital do mundo. Com a sua queda no século IV, a península itálica foi tomada sucessivamente por hunos, godos, vândalos e outros antigos povos europeus.

A partir do século VI a Itália foi anexada ao Império Bizantino e com o tempo desenvolveram-se poderosas cidades-estado, sustentadas pelo comércio no mediterrâneo e com o oriente, entre as quais destacaram-se Veneza, Gênova, Nápoles e Florença, que passaram a exercer forte influência cultural, política e econômica em todo o ocidente, sem falar de Roma, que se tornou sede da Igreja Católica, a mais poderosa religião do mundo. Estes centros de poder eram rivais entre si e deram origem a reinos, ducados e repúblicas dentro pequena península em forma de bota.

Foi somente no século dezenove que começou a surgir um sentimento de unidade nacional, alimentado pela insatisfação das classes mais poderosas com o domínio estrangeiro, sobretudo da Alemanha, Áustria França e Espanha, pois desde o final do Império nenhum governo na península desenvolveu poder militar que permitisse fazer frente às potências do norte europeu. Após a queda de Napoleão, entretanto, o poder europeu foi fragmentado e permitiu que várias regiões da Itália iniciassem um processo de independência e unificação, marcado por muitas lutas contra os países vizinhos. Este processo foi consolidado por Giuseppe Garibaldi que, em 1860, proclamou o Reino Unido da Itália e coroou Vittorio Emanuelle II, antigo rei do Piemonte, como monarca de toda a península. Para completar a unificação, porém, faltava conquistar das mãos dos austríacos a rica região que se estendia de Veneza até os Alpes, incluindo a mítica cidade dos canais.
Garibaldi conquistou Veneza e anexou a região do Vêneto em 1866, ficando faltando apenas os territórios de Trentino e alto Ádige, mais ao norte. Porém, nesta época, o reino italiano enfrentava uma grave crise econômica em função das batalhas travadas. A rica região do Vêneto foi submetida a pesadas taxas, que chegavam a 65% do valor dos bens de consumo. A pesca, importante meio de subsistência na região, banhada pelos rios Pó e Ádige, a caça e a coleta de lenha foram proibidas à população.

Em 1869 um novo imposto sobre a moenda de trigo provocou o fechamento da maior parte dos moinhos e gerou uma profunda crise de fome na região. Esta situação, aliada às perspectivas de mais batalhas contra a Áustria nos territórios do norte, desencadeou um processo de migração em massa de famílias rumo a países da América e Europa Central, que retirou da região centenas de milhares de famílias entre os anos de 1866 e 1914.