ORTENSI.COM - História da Família Ortensi - Giovanni Ortensi, Luiz Ortensi, Luiz Eduardo Ortensi, Odair Leonel Ortensi, Hortencio, imigração, imigrantes italianos.
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São Paulo, 5 de fevereiro de 2012. Boa tarde !

História da família Ortensi

1. O contexto histórico

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A Itália, nos tempos dos Casares, foi sede do maior Império de toda a história humana e Roma era chamada de Capital do mundo. Com a sua queda no século IV, a península itálica foi tomada sucessivamente por hunos, godos, vândalos e outros antigos povos europeus. A partir do século VI a Itália foi anexada ao Império Bizantino e com o tempo desenvolveram-se poderosas cidades-estado, sustentadas pelo comércio no mediterrâneo e com o oriente, entre as quais destacaram-se Veneza, Gênova, Nápoles e Florença, que passaram a exercer forte influência cultural, política e econômica em todo o ocidente, sem falar de Roma, que se tornou sede da Igreja Católica, a mais poderosa religião do mundo. Estes centros de poder eram rivais entre si e deram origem a reinos, ducados e repúblicas dentro da pequena península em forma de bota. Foi somente no século dezenove que começou a surgir um sentimento de unidade nacional, alimentado pela insatisfação das classes mais poderosas com o domínio estrangeiro, sobretudo da Alemanha, Áustria França e Espanha, pois desde o final do Império nenhum governo na península desenvolveu poder militar que permitisse fazer frente às potências do norte europeu. Após a queda de Napoleão, entretanto, o poder europeu foi fragmentado e permitiu que várias regiões da Itália iniciassem um processo de independência e unificação, marcado por muitas lutas contra os países vizinhos. Este processo foi consolidado por Giuseppe Garibaldi que, em 1860, proclamou o Reino Unido da Itália e coroou Vittorio Emanuelle II, antigo rei do Piemonte, como monarca de toda a península. Para completar a unificação, porém, faltava conquistar das mãos dos austríacos a rica região que se estendia de Veneza até os Alpes, incluindo a mítica cidade dos canais. Garibaldi conquistou Veneza e anexou a região do Vêneto em 1866, ficando faltando apenas os territórios de Trentino e alto Ádige, mais ao norte. Porém, nesta época, o reino italiano enfrentava uma grave crise econômica em função das batalhas travadas. A rica região do Vêneto foi submetida a pesadas taxas, que chegavam a 65% do valor dos bens de consumo. A pesca, importante meio de subsistência na região banhada pelos rios Pó e Ádige, a caça e a coleta de lenha foram proibidas à população. Em 1869 um novo imposto sobre a moenda de trigo provocou o fechamento da maior parte dos moinhos e gerou uma profunda crise de fome na região. Esta situação, aliada às perspectivas de mais batalhas contra a Áustria nos territórios do norte, desencadeou um processo de migração em massa de famílias rumo a países da América e Europa Central, que retirou da região centenas de milhares de famílias entre os anos de 1866 e 1914.

 

2. O primeiro Ortensi

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Foi em meio à grave crise na região do Vêneto que em 1876 nasceu Ortensi Giovanni, na cidade de Rovigo, localizada a 78 km de Veneza, às margens do rio Ádige. Os pais de Giovanni são desconhecidos. Muitas famílias que migraram para países transoceânicos e possuíam filhos recém nascidos os deixavam em orfanatos para que não corressem os riscos da longa e precária viagem de navio e das incertezas da vida em terras desconhecidas. A saída de imigrantes era tão intensa que os orfanatos aceitavam as crianças sem formalidades; muitos possuíam espécies de portinholas com cestos giratórios, onde eram deixados os bebês. Este foi o caso do pequeno Giovanni, deixado num desses cestos em uma Congregação de Caridade da cidade de Rovigo, no dia em 1� de abril de 1876. Ali ele recebeu o seu nome, foi criado e educado até a adolescência.

 

  Mapa da região do Vêneto (Itália)

Não há muita informação sobre o período de sua infância até o final da adolescência. provável que, ao atingirem uma idade em que pudessem trabalhar os jovens internos da Congregação de Caridade fossem treinados em ofícios que permitissem o seu próprio sustento. Giovanni, segundo ele mesmo relatara a seus filhos e netos, aprendeu o ofício de alfaiate e por volta do ano de 1890 começou a exercê-lo na cidade de Rovigo. Quando atingiu dezesseis anos, Giovanni pôde excursionar por cidades e províncias vizinhas à procura de oportunidades de trabalho, embora continuasse residente em Rovigo. Estas excursões o levaram até a cidade de Padova, capital da província de mesmo nome e vizinha de Rovigo.

Vista aérea de Rovigo (Itália) atualmente

 

3. União com a família Finco

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Em Padova, aonde ia freqüentemente a trabalho, Giovanni conheceu e apaixonou-se pela jovem Virgínia, filha de Luigi Finco e Giuseppa Pallughello. A família Finco possuía uma pequena propriedade rural na comune (município) de Villa Estense, naquela mesma província. possível que Giovanni tenha conhecido os Finco quando lhes prestava seus serviços. Por serem pequenos proprietários não eram ricos, mas provavelmente desfrutavam de boa condição financeira, embora a crise que toda a região vivia e os pesados impostos certamente lhes estivessem causando dificuldades. Giovanni conquistou não só o coração de Virgínia, mas também dos pais dela. Mudou-se para Villa Estense e passou a trabalhar para os futuros sogros. Logo, Giovanni e Virginia planejaram casar-se. Porém, por ter sido criado em um orfanato, o jovem Ortensi não possuía toda a documentação regular exigida para o casamento civil. A solução foi dada pelos próprios Finco, que lhe tomaram como seu filho adotivo no dia 18 de dezembro de 1894, aos seus 18 anos. Agora, o jovem Ortensi tinha uma família; tinha os Finco, a quem podia chamar de pais e que em breve seriam seus sogros e tinha Virgínia, que em breve seria sua esposa. O registro de adoção de Giovanni é o mais antigo documento italiano da família disponível. (veja na seção de documentos uma reprodução do original deste documento e a tradução do seu texto).

 

4. Exército e casamento

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Giovanni, como todo jovem de 18 anos, alista-se para o serviço militar e no ano de 1895 passa a servir como soldado na capital Padova. Foi então que um evento delicado adiantou os seus planos. Se não estivesse no exército, provavelmente Giovanni e Virginia teriam logo se casado, mas como o serviço militar retardou seus planos, o casal acabou cedendo às paixões e Virginia fica grávida de Giovanni, por volta do mês de agosto de 1895. Não há registro de como este fato foi recebido pelos Finco, mas acredita-se que não houve uma ruptura familiar, pois os documentos disponíveis mostram que todos continuaram unidos. Além disso, para regularizar a situação (e provavelmente acalmar os pais de Virginia) o jovem casal Ortensi oficializa o seu casamento em 3 de fevereiro de 1896 (veja na seção de documentos uma reprodução atual deste documento e a tradução do seu texto). Dois meses depois, em 4 de abril, nasce Alba, sua primeira filha. Com uma filha recém nascida para cuidar, Giovanni pede licença do exército e é liberado em 17 de junho de 1896 com licença limitada, ou seja, deveria ficar disponível para uma eventual convocação.

 

5. Guerra e imigração para o Brasil

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A crise política e social na região se agravara. Os Finco, seguindo o exemplo de outros milhares de famílias, planejavam partir para a América e Giovanni, Virginia e Alba iriam junto. Mas, em 4 de março de 1897, Giovanni foi chamado pelo exército, pois novos efetivos estavam sendo mobilizados para a campanha contra a Áustria pela posse dos territórios ao norte do Vêneto. A situação na província era crítica e o casal decide que Virgínia e Alba deveriam partir junto com seus pais e Giovanni os seguiria assim que fosse liberado. Assim, Virgínia, e Alba partem rumo ao Brasil, ainda em 1897, junto com seus familiares. Giovanni foi incorporado ao 86� Regimento de Infantaria do Exército e lutou em Triestre e Trento. Segundo seus próprios relatos as batalhas foram sangrentas e em certa ocasião teve de se esconder sob cadáveres na neve para não ser morto pelo inimigo. A sua atuação no exército foi reconhecida pela promoção ao posto de cabo, em 31 de março de 1898, com mérito de boa conduta. Felizmente, a guerra foi breve. Os territórios foram conquistados pela Itália e logo os efetivos retornaram aos seus quartéis. Giovanni solicita sua dispensa do Exército e permissão para mudar-se para o Brasil, o que lhe foi concedido em 30 de Novembro de 1898. Assim, no último ano do século dezenove, mais um imigrante italiano deixa a sua Pátria para rever sua família, em busca de paz e felicidade.

 

6. São Paulo e o café

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A chegada de Giovanni ao Brasil foi em março de 1899, no porto de Santos, Estado de São Paulo. Seguindo as correspondências recebidas de Virgínia, rumou para a pequena cidade de Guariba, na região de Ribeirão Preto no interior do mesmo Estado onde, após dois anos, reencontrou-se com sua mulher, sua filha e seus pais adotivos. 

Como a grande maioria dos imigrantes europeus chegados a São Paulo no início do século XX, Giovanni foi trabalhar nas fazendas de café. No Brasil, o casal Ortensi teve mais sete filhos; destes, três eram homens : Etore, Luiz e Leonel. 

A primeira filha do casal, Alba, nascida na Itália, possuía problemas cardíacos congênitos e faleceu muito jovem, sem deixar filhos. A esposa de Giovanni, Virgínia, Faleceu em 3 de setembro de 1945. 

Com a morte de Virginia, Giovanni passou a morar com Leonel, seu filho mais novo, ainda solteiro. Quando Leonel casou-se, Giovanni hospedou-se na casa do filho mais velho, Etore. Com a morte de Etore, mais uma vez Giovanni muda de residência, desta vez para a casa do filho Luiz, com o qual permanece na cidade de Santa Adélia até 1953, quando todos partem para a cidade de Andirá, no Estado do Paraná.

 

7. A história continua

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No mesmo ano de 1953 a família Ortensi retorna para o Estado de São Paulo, indo para a cidade de Guarulhos onde residiram até 1955, quando foram para a Capital, no bairro da Penha. Ali permanece Giovanni até a sua morte, em 8 de julho de 1958. Sua sepultura está no cemitério de São Judas, na cidade de Guarulhos, para onde retornaram posteriormente os filhos Luiz, Leonel e suas famílias.

Fica aqui o incentivo a todos os membros desta família que colaborem com a continuidade deste trabalho, enviando informações, sugestões e fotografias que retratem a memória dos nossos antepassados. Em breve pretendo incluir breves biografias dos filhos, netos e bisnetos de Ortensi Giovanni e todas as informações serão muito valiosas.

Saudação a todos.
Mauricio Luiz Ortensi

 

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