ORTENSI.COM - Informática - Entenda o movimento do software livre - Open source e Linux
ortensi.com
São Paulo, 20 de novembro de 2008. Boa madrugada !

Entenda o movimento do software livre

Se você leu o artigo anterior (Um convite ao software livre) e já resolveu adotar o pingüim (símbolo do Linux) e sua turma para morarem no seu computador, parabéns, você é uma pessoa inteligente e socialmente responsável (logo você verá por que). Neste caso, se estiver impaciente para começar logo, pode pular para o próximo artigo (seja inteligente.. mude!). Mas, se tiver um tempinho, leia antes os tópicos abaixo para entender melhor o que você está fazendo.

Para entender como é possível que existam softwares livres e gratuitos de qualidade equivalente ou superior a versões proprietárias pagas e caras é preciso entender como funciona o mercado de software.

Entendendo o software proprietário

As grandes empresas que desenvolvem softwares (como a Microsoft, a Adobe, a Macromedia, etc.) investem muito dinheiro em pesquisa e em salários de analistas e programadores para criarem os seus produtos. Os softwares são criados como programas de computador escritos em uma linguagem de programação (como C++, Java, Pascal, Assembly, etc.) e o programa original de um software escrito numa destas linguagens é chamado de "código fonte". Posteriormente, o código fonte é "compilado" e transformado em um formato executável pelo computador (o famoso ".exe", além de outros como ".dll", ".class", ".ocx", etc). 

Um programa já compilado não pode ser modificado pelos usuários e nem as técnicas utilizadas na programação do código fonte podem ser conhecidas por ele, pois o formato executável (também chamado de "formato binário") é composto da chamada "linguagem de máquina", incompreensível para o ser humano. apenas este formato binário que que as empresas gravam nos CDs que você compra (ou copia!) e instala no seu computador, junto com manuais, ajudas, etc. O código fonte que foi criado para gerar o executável fica bem guardado nos cofres das empresas, que o consideram como segredo industrial.

Ou seja, quando compra um software você não pode alterá-lo e nem sabe como foi desenvolvido. Este tipo de software é chamado de "software proprietário". As empresas que produzem e comercializam softwares proprietários recuperam o seu investimento e obtém os seus lucros com a venda de cópias oficiais dos programas já compilados, que podemos usar através de um contrato de "licença de uso" com o qual concordamos (conscientemente ou não) quando instalamos o software em nosso computador.

Além do lucro da venda de cópias oficiais com licença de uso, estas empresas ou suas parceiras também lucram oferecendo suporte técnico, treinamento, personalização, etc. Com o tempo e com o avanço das tecnologias de informática algumas empresas se sobressaíram e formaram verdadeiros monopólios no mercado de software, como é o caso da Microsoft, que possui o seu sistema operacional MS-Windows e a sua suíte de escritório MS-Office instalados em quase todos os computadores do planeta.

Porém, com este monopólio, os usuários ficam à mercê das políticas de preços, vendas e atualizações de versões impostas por estas empresas. Não há opções de escolha, a concorrência desaparece e, conseqüentemente, os preços se tornam muito mais elevados do que poderiam ser. Se os preços fossem mais justos e as políticas comerciais menos monopolistas, será que Bill Gates, o fundador da Microsoft, seria o homem mais rico do mundo?.

Entretanto, esta política de preços elevados teve um efeito negativo sobre as próprias empresas que a praticam e acabou provocando a grande onda de "pirataria" de software que hoje é praticada em todo o mundo e da qual o Brasil é um dos campeões ("pirataria" é copiar algo que seja protegido por leis contra cópia, incluindo software para computador, CDs de música, DVDs, jogos eletrônicos, livros, etc.).

Mesmo com as técnicas de bloqueios, chaves codificadas e outras artimanhas utilizadas pelas empresas para dificultar cópias ilegais, os usuários mais espertos (e desonestos) sempre dão um jeito de quebrar as proteções e copiar os programas. Algumas pessoas passaram a ganhar dinheiro vendendo cópias ilegais de softwares e com o tempo surgiu um grande mercado paralelo de softwares piratas vendidos por preços muito inferiores às cópias oficiais. Estas cópias, não importa quais sejam os argumentos ou justificativas de quem as vende e nem de quem as compra, constituem pirataria e pirataria é crime (leia os artigos sobre pirataria).

Para tentar reverter este cenário, vários profissionais e empresas começaram a estudar novas formas para produzir e distribuir software. Deste movimento surgiram as licenças de software livre que hoje dão suporte legal e garantem a continuidade do movimento sem o risco de exploração comercial indevida (leia o artigo sobre licenças livres).

Assim, foi para fugir da dependência de uma tecnologia mantida em segredo e comercializada ao bel prazer de grandes corporações e para eliminar a pirataria que surgiu o movimento do software livre, explicado no próximo tópico deste artigo.

Entendendo o software livre

Antes de mais nada, o software livre não consiste em nenhum milagre, nem é um complô contra a Microsoft, nem algo do submundo dos programadores. Este é um movimento apoiado por grandes empresas e conta com muitos dos melhores e mais brilhantes programadores do mundo. O motivo de grandes empresas de hardware tais como IBM, Sun, Intel, HP, Dell, etc., apoiarem o movimento é que, ao comercializarem os seus equipamentos estas empresas precisam fornecer o software mínimo necessário para o seu funcionamento ("hardware" é o equipamento físico que constitui o computador propriamente dito). Este software mínimo é composto principalmente pelo sistema operacional (como o MS-Windows, por exemplo). Assim, estas empresas acabam também vítimas do monopólio e dos preços elevados das empresas de software, o que aumenta o custo final dos seus produtos. Algumas destas empresas criaram seus próprios sistemas operacionais, quase sempre com base no Unix, mas isto acabou criando diferenças entre estes sistemas e gerando incompatibilidades entre eles, dificultando o treinamento e a utilização por parte dos seus clientes, que acabam forçando estes fabricantes a compatibilizarem seus equipamentos com o MS-Windows que todo mundo usa e conhece. Ou seja, é um círculo vicioso que só faz aumentar o monopólio e os preços.

Se um fabricante de computadores vender o seu hardware sem nenhum software ele simplesmente não funciona e para utilizá-lo o usuário terá que adquirir os softwares por conta própria e instalá-los, o que nem sempre é simples por causa da possibilidade de incompatibilidades, erros e conflitos entre componentes. E mesmo que o usuário não compre os softwares, mas copie os CDs de um "amigo" ou compre bem baratinho numas daquelas lojinhas de galeria ou num camelô (o que é pirataria) ainda assim terá que arcar com as tarefas de instalação e configuração.

O ideal seria os fabricantes de hardware venderem os seus equipamentos com o maior número de softwares já instalados e configurados de fábrica, o que facilita muito a vida do usuário e, como conseqüência, ajuda nas vendas. Entretanto, neste caso, o fabricante do hardware é obrigado a comprar as licenças de uso dos softwares que instalar e, para não ter prejuízo, repassar este custo ao usuário final, o que acaba por dificultar as vendas!. Fica agora claro o quanto interessa aos grandes fabricantes de hardware poder contar com softwares de qualidade que possam ser instalados em seus equipamentos sem aumentar o preço para o consumidor final.

por isso que estas empresas estão investindo no software livre. Mas, apesar dos atuais incentivos dos fabricantes de hardware, este movimento é algo maior e mais nobre do que a estratégia comercial destas empresas. Ele tem as suas origens nos primórdios da era digital, ainda na década de 1960, quando universidades e pesquisadores da área de computação faziam parcerias com empresas de tecnologia para incentivar a pesquisa e a evolução dos softwares (leia o artigo História do Linux). Entretanto, quando a informática começou a transformar-se no mais lucrativo negócio da história, surgiram as políticas de segredo e ocultação de tecnologia que os fabricantes de software proprietário praticam até hoje.

Estas políticas, aliadas aos preços elevados, impedem que um número maior de pessoas e pequenas empresas se beneficiem dos avanços proporcionados pela informática. Foi para tentar mudar este cenário que, em meados de 1990, empresas e profissionais, mais uma vez com o apoio de várias universidades em todo o mundo, começaram a disponibilizar o código fonte dos seus softwares, principalmente através da Internet, incentivando outros profissionais a colaborarem com o seu desenvolvimento.

esta colaboração, vinda de muitas pessoas espalhadas pelo mundo e organizadas através da Internet, que permite que o software livre seja produzido sem os grandes investimentos que uma única empresa precisaria fazer. Assim o software pode ser distribuído gratuitamente e com sua tecnologia aberta. Este tipo de desenvolvimento, além de favorecer a evolução das tecnologias, democratiza o seu acesso à toda a sociedade pois permite que um maior número de indivíduos e instituições se beneficiem, e não apenas as poucas grandes corporações que podem pagar os elevados preços atuais.

uma briga entre a democratização do conhecimento e a ganância comercial. A boa notícia é que cada vez mais profissionais e empresas têm apostado que vencerá o primeiro time. A pergunta que muitos fazem é quanto tempo vai demorar até que o software livre vença a disputa. Bem, isso depende de quantas pessoas e empresas decidam deixar de ser extorquidas ou de cometer o crime da pirataria.

Ao optar pelo software livre você contribui para baratear, democratizar e tornar mais justo o acesso de toda a sociedade às conquistas tecnológicas. O artigo Software livre e inclusão digital mostra como isso é possível.

 

Autor: Mauricio Luiz Ortensi ().
Este texto pode ser copiado, modificado e distribuído livremente, sob os termos da Licença de Documentação Livre publicada pela Free Software Foundation, desde que seja preservada esta nota. Caso o texto seja modificado o autor solicita receber uma cópia para seus arquivos. 
 

MICROSOT, ADOBE, MACROMEDIA, IBM, SUN, HP, INTEL E DELL SÃO MARCAS REGISTRADAS PROTEGIDAS POR COPYRIGHT. 
JAVA MARCA REGISTRADA DA SUN MICROSYSTEMS. MS-WINDOWS E MS-OFFICE SÃO MARCAS REGISTRADAS DA MICROSOFT CORPORATION.

Associação Brasileira de Web Designers e WebmastersIMD-Auditoria de acessos ao site