Origens

Séculos V a.C até XIV d.c

A Itália, no tempo do dos Césares, foi sede do maior Império da história humana e Roma era chamada de Capital do Mundo. Com a sua queda no século IV, a península itálica foi tomada sucessivamente por hunos, godos, vândalos e outros antigos povos europeus.

A partir do século VI a Itália foi anexada ao Império Bizantino e, com o tempo, desenvolveram-se poderosas cidades-estados independentes, sustentadas pelo comércio no mediterrâneo e com o oriente, entre as quais destacaram-se Veneza, Gênova, Nápoles e Florença, que passaram a exercer forte influência cultural, política e econômica em todo o ocidente, sem falar de Roma, capital dos chamados Estados Papais e sede da Igreja Católica, a mais poderosa religião do mundo. Estes centros de poder eram rivais entre si e deram origem a reinos, ducados e repúblicas dentro pequena península em forma de bota.

Origem do sobrenome

Durante a Idade Média desenvolveram-se nesses reinos famílias poderosas e influentes, algumas com origem na nobreza europeia e outras, plebeias e aristocráticas, que adquiriram seu poder por prosperarem no comércio, na cavalaria ou em outros ofícios considerados nobres, no sentido do seu valor, como o de advogados, oradores, doutores, artistas, cientistas e outros. Algumas destas famílias tinham suas origens no Império Romano, como foi o caso da família Ortensi (em alguns casos grafada Ortenzi, Hortensi e Hortêncio) que, segundo a tradição, remonta a uma gens1 romana denominada Gens Hortensia, conforme apurado pelo Heraldrys Institute of Rome. (consulte a página de Referências).

  1. Gens é um termo que, na Roma Antiga, representava a identidade de um determinado conjunto de famílias integrantes da aristocracia romana. Os membros da gens encontravam-se ligados pela concepção de uma linhagem definida pela ancestralidade e por feitos militares de seus antepassados.

Hortensia é uma gens plebeia da Roma Antiga, mencionada pela primeira vez no século V a.C. O mais ilustre dos membros dessa gens foi o orador Quintus Hortensius, um homem de grande erudição e contemporâneo de Cícero. Sob o Império, a família parece ter se mantido na obscuridade, pois há poucas referências a eles. Os remanescentes da gens voltaram a ter notoriedade no século XIV d.C., já com a grafia Ortensi, na região do Lazio (província central da Itália, cuja capital é Roma) quando Augustus Ortensi, um Cavaleiro Cruzado, lutou em importantes combates. A partir desta época, membros da família se distribuíram por várias regiões da península itálica.

O Brasão da Família e a citação a seguir são do Heraldrys Institute of Rome:

Brasão da Família Ortensi
Brasão da Família Ortensi
(Clique para ampliar)

ORTENSI – Família do Lazio antiga e ilustre, de virtude clara e ancestral, cuja tradição indica descender da famosa Gens Hortensia. A origem dessa cognominação, em nome de genealogistas ilustres, deve ser procurada no nomen latino Hortensius, o nome nobre, de fato, de Gens Hortensia.

De qualquer forma, essa família provavelmente gozava dos privilégios da cavalaria desde o século XIV, ou desde a época em que floresceu Augustus Ortensi, um cavaleiro cruzado, que, bravamente, lutou sob as bandeiras do cardeal Albornoz, no interior, que subjugou Lazio, Spoleto, o Montefeltro de Urbino, o Malatesta de Rimini e os Ordelaffi de Forlì. Mas, por outro lado, a família sempre conseguiu se distinguir, graças aos personagens elevados, aos quais deu à luz

Rome Heraldic Institute.

Séculos XIV até XIX

No século dezenove começou a surgir um sentimento de unidade nacional na Itália, alimentado pela insatisfação das classes mais poderosas com o domínio estrangeiro, sobretudo da Alemanha, Áustria e França, pois desde o fim do Império nenhum governo na península desenvolveu poder militar que permitisse fazer frente às potências europeias. Após a queda de Napoleão, entretanto, o poder europeu foi fragmentado e permitiu que várias regiões da Itália iniciassem um processo de independência e unificação, denominado Risorgimento, que foi marcado por muitas lutas contra os países vizinhos. Este processo foi consolidado por Giuseppe Garibaldi que, em 1860, proclamou o Reino Unido da Itália e coroou Vittorio Emanuelle II, antigo rei do Piemonte, como monarca de toda a península. Para completar a unificação, porém, faltava conquistar das mãos dos austríacos algumas regiões onde habitavam cidadãos que falavam o italiano. Estas regiões, chamadas de Terras Irredentas eram o Vêneto, Trentino-Alto Ádige (Tirol) e Venezia-Giulia, que incluíam cidades importantes como Veneza, Pádua, Trento, Bolzano e Trieste.

Garibaldi conquistou Veneza e anexou a região do Vêneto em 1866, mas ainda permaneciam nas mãos dos austríacos os territórios de Venezia-Giulia (incluindo Trieste com seu importante porto) e Trentino-Alto Ádige. Porém, nesta época, o reino italiano enfrentava uma grave crise econômica em função das batalhas travadas. A rica região do Vêneto foi submetida a pesadas taxas, que chegavam a 65% do valor dos bens de consumo. A pesca, importante meio de subsistência na região, banhada pelos rios Pó e Ádige, a caça e a coleta de lenha foram proibidas à população.

Em 1869 um novo imposto sobre a moenda de trigo provocou o fechamento da maior parte dos moinhos e gerou uma profunda crise de fome na região. Esta situação, aliada às perspectivas de mais batalhas contra a Áustria, desencadeou um processo de emigração em massa de famílias rumo a países da América e Europa Central, que retirou da região centenas de milhares de famílias entre os anos de 1866 e 1914.

Nesta época já podiam ser encontrados membros da família Ortensi em várias regiões da Itália, muitos deles pertencentes à aristocracia. Mas é certo que todos estavam sendo afetados pela crise política e econômica e muitos também emigraram, principalmente para as Américas. Foi neste cenário que, em 1876, um recém-nascido foi deixado em uma Casa de Caridade na região do Vêneto. Seu nome: Giovanni Ortensi.